quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

Educar significa saber a hora certa de dizer sim e não:Parte 2

Autor: Victor Nicolino Faria - Psicólogo - CRP 06/98407
E-mail para contato: victor.nicolino@hotmail.com

    Como o mundo moderno se torna a cada dia mais complexo e exigente, dispendemos mais e mais energia e tempo lidando com as demandas diárias. Proporcionar um lar estabilizado financeiramente, educação de qualidade e acesso a bens de consumo e cultura significa para muitos pais trabalhar mais de 8 horas por dia, sendo que muitas jornadas de trabalho atualmente alcançam 12 a 15 horas.
   Diante dessa realidade muitos pais sofrem por não poder estar presentes nos momentos mais significativos de seus filhos, como os primeiros passos; a primeira apresentação de dança; o primeiro gol marcado; etc. Essa ausência, que em muitos momentos é mais sentida pelas figuras paternas do que pela criança em si, produz em muitos pais a dificuldade em dizer não para o seu filho.
   Por não estarem presentes nos momentos significativos, os adultos compram todos os brinquedos que a criança quer; permitem que ela durma tarde; deixam a criança ditar as regras da casa... Essas atitudes paternas são uma forma de "compensar" os filhos pela ausência diária, porém essa "compensação" se torna prejudicial para a educação da criança.
   Como foi explorado em post anterior, um dos elementos da educação é estabelecer limites para os jovens. As figuras paternas precisam ser as figuras de autoridade para uma criança, o modelo para que os filhos se espelhem em seu desenvolvimento. Na escolha de ter um filho, é imprescindível a consciência da responsabilidade para com o futuro desse ser humano, sem esquecer os prazeres de acompanhar e fazer parte do desenvolvimento de alguém que representa uma parte sua no mundo.
   Recompensar a ausência provendo tudo o que a criança deseja não é educar, pois o que a criança mais precisa nessa etapa de sua vida é amor, orientação/educação e respeito. Não importa quanto tempo uma pessoa possa estar com o seu filho, o mais importante é a qualidade da interação. Se durante uma hora do dia um pai estiver dando o seu melhor, sendo verdadeiramente o pai que educa e proporciona carinho para essa criança, as outras 23 horas em que ele não esteve presente não serão tão importantes.
  Por isso a tarefa de ser pai não envolve necessariamente o que as pessoas podem financeiramente proporcionar, nem quanto tempo ela pode estar ao lado do filho. O mais importante é a intensidade da relação, a intimidade, a educação que envolve dizer sim e não; esses são alguns dos elementos que a  criança precisa nessa etapa do seu desenvolvimento.

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