quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

Relato de uma mãe que sofreu de depressão pós-parto

    "Quando fiquei grávida meus sentimentos foram uma mistura de alegria, medo e ansiedade... sentimentos que toda mulher vive ao descobrir que será mãe. Os nove meses passaram com tranquilidade, apesar da mudança de cidade, da procura de um novo apartamento, e todas as preocupações que essas duas grandes mudanças provocam no dia a dia.
    Digo duas grandes mudanças porque ter um filho já é uma grande mudança na vida de qualquer mulher, ao mesmo tempo mudar de cidade é bem complicado para toda família. Há pressões de todos os lados, palpites, pequenas discussões que vão estressando e deixando a pessoa um pouco abalada.
    Depois do parto, comecei a sentir muita insegurança e medo de ir para casa com o bebê. Segundo o médico, era depressão pós parto. De um lado a família não acreditava que isso poderia acontecer com uma pessoa saudável, e por outro eu estava vivendo sentimentos cada vez mais confusos. Sem entender o que estava acontecendo, piorando a cada dia. Não suportava ouvir o choro do bebê, não dormia, não tinha fome... O que era para ser prazeroso tornava-se insuportável! Desde a simples troca de uma fralda até as visitas dos conhecidos para conhecer o bebê. 
    Os dias se arrastavam, tudo parecia distante e sem sentido para mim. Eu sentia muito cansaço e falta de alegria. Buscava com todas as minhas forças sair da depressão, mas era muito difícil. Os três primeiros meses foram os piores...
    A partir do quarto mês, depois de conversar com o meu médico, fui aconselhada por ele a tentar buscar uma rotina diária, com passeios ao ar livre, caminhadas, ginástica, cuidar do bebê diariamente com calma e sem ansiedade. E, principalmente, buscar o apoio de um psicólogo e da família.
    Fiz o que ele me aconselhou, e através de muito diálogo, com muito amor e carinho fui pouco a pouco saindo da depressão, até que em um belo dia olhei para o meu filho e pensei: É muito bom ser sua mãe e amar você como te amo."

(S.N, casada, 58 anos)     

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