quarta-feira, 3 de abril de 2013

Problemas respiratórios na infância


Autor: Dr. Fábio Pereira Muchão – Pediatra e Pneumologista Infantil formado pela USP, Mestre em Medicina pela USP - CRM 100688
Telefones: (11) 3205-2461 / (11) 3231-0051
  
   Os problemas respiratórios são extremamente comuns na infância e geram muita angústia nos pais.
    Primeiramente é preciso entender que na maioria absoluta das vezes estas condições são benignas. O mais importante para os pais é reconhecer os sinais de alerta e entender quando é preciso procurar assistência médica.
   Logo após o nascimento, é freqüente os pais perceberem que o bebê fica freqüentemente com o nariz entupido. Isto ocorre porque o nariz dos recém nascidos tem um espaço muito reduzido para a passagem do ar. Nos primeiros dias de vida, quaisquer quantidades residuais de material oriundo do líquido amniótico podem obstruir parcialmente a passagem do ar. Mais adiante, a própria secreção produzida no nariz pode fazer este papel. 
    É comum, portanto, que nos primeiros 30 dias de vida da criança note-se uma “ronqueira” no nariz. Os principais sinais de perigo nesta fase são a febre (que implica em procura de assistência médica obrigatória nos dois primeiros meses de vida, devido à imaturidade do sistema de defesa do bebê) e a dificuldade para mamar. Se o bebê está apresentando cansaço ao mamar, também se deve levá-lo a um pediatra para avaliação.
    O segredo para minimizar este problema é a lavagem nasal com soro fisiológico, que pode ser feita várias vezes ao dia sem prejuízo para a criança.
    À medida que a criança cresce e principalmente após o início do período escolar, os vírus passam a ser os principais vilões dos problemas respiratórios.
    Os resfriados comuns são as infecções virais mais freqüentes na infância e podem causar tosse, coriza clara ou amarelo-esverdeada, febre e mal estar.
     Novamente, é preciso destacar o papel da lavagem nasal com soro fisiológico e inalações com a mesma solução.
    Já as gripes, embora muito semelhantes aos resfriados, costumam cursar com sintomas mais intensos, febre normalmente mais alta e comprometimento maior do estado geral da criança.
    As gripes e resfriados podem funcionar como portas de entrada para otites (infecções de ouvido), sinusite e pneumonias. 
    Deve-se ter atenção especial principalmente quando a febre ultrapassa dois a três dias, quando a criança está muito prostrada, mesmo quando medicada para febre, quando ocorre falta de ar, cansaço, vômitos persistentes, entre outros sintomas. Não se deve postergar a procura de assistência médica nestes casos. Mesmo que a criança esteja bem, se os sintomas (tosse, coriza) duram mais de cinco a sete dias, deve-se procurar o pediatra da criança ou um serviço médico.
    Outras complicações comuns dos problemas respiratórios na infância são as crises de chiado.
    Crises de chiado ocorrem quando um processo inflamatório atinge os pulmões, dificultando a passagem de ar pelos brônquios.
    Nos menores de dois anos, as bronquiolites são a principal causa de crises de chiado. Assim como as gripes e resfriados, as bronquiolites são causadas por vírus e o que as diferencia das primeiras, é que nas bronquiolites os pulmões são acometidos. Por isso é comum que o bebê tenha cansaço, tosse intensa e dificuldade para mamar. O chiado pode se manifestar como um som agudo “como miado de gato”, mas nem sempre é fácil para os pais detectá-lo, por isso a avaliação médica é fundamental.
     A maioria das bronquiolites é benigna, porém alguns bebês podem precisar de internação. As medicações devem sempre ser administradas sob orientação médica e os sinais de alerta acima descritos também devem ser observados.
    Alguns bebês podem ter várias bronquiolites e em alguns casos os pulmões ficam sensibilizados e hiper-reativos a uma série de estímulos (mudanças de temperatura, poluentes, outras infecções virais). Quando isto ocorre e as crises se repetem freqüentemente (bebê chiador) podem ser necessárias uma investigação e tratamento preventivo com pneumologista infantil.
     Nos maiores de dois anos, uma causa comum de crises recorrentes de chiado é a asma (popularmente conhecida como “bronquite” ou “bronquite asmática”). Assim como no caso dos bebês chiadores, a procura de um tratamento específico é fundamental.
    A maioria absoluta dos casos de asma é perfeitamente controlável e as medicações utilizadas muito seguras. As principais medicações são inalatórias e na forma de spray (bombinhas).
   Existem muitos conceitos errados difundidos entre a população a respeito dos sprays (bombinhas). Muita gente acredita que essas medicações “viciam”, “causam dependência”, “fazem mal ao coração”. Nada disto é verdade. Quando utilizadas sob orientação médica, estas mediações são absolutamente seguras e podem melhorar muito a qualidade de vida da criança asmática, evitando crises de chiado e internações. Se bem tratado, um asmático pode ter uma vida normal, praticar esportes e tudo o mais que for adequado para sua idade. Procure seu pneumologista para obter informações mais detalhadas.

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