quarta-feira, 5 de junho de 2013

Criança ainda não entende essas coisas... Será?

Autor: Victor Nicolino Faria - Psicólogo - CRP 06/98407
E-mail para contato: victor.nicolino@hotmail.com

    Alguns pais acreditam que podem falar com seus filhos da forma como eles bem entendem, somente pelo fato da criança ser "pequena" ou "não entender as coisas". Eles acabam gritando com a criança, sendo muito duros ou muito permissivos. Sem mencionar o fato de que muitas famílias tratam a criança como se ela fosse um eterno bebê, ou olham e exigem de um filho de 7 anos maturidade emocional e cognitiva de um adulto.
    Essas discrepâncias no comportamento dos adultos que convivem com a criança inevitavelmente produzem consequências na vida dos filhos, interferindo no repertório comportamental da criança a curto, médio e longo prazos. Muitos adultos menosprezam essa interferência, acreditando que o que se passa com os filhos enquanto eles são menores de idade não repercute na vida adulta, sendo que na terapia tanto com crianças como com adultos observa-se exatamente o contrário.
    Os primeiros anos de vida são muito importantes na vida das crianças porque acabam moldando padrões de comportamento que se generalizam muitas vezes por toda a vida adulta. À medida que o bebê cresce ele acaba aprendendo as primeiras formas de interagir com o outro e com seu próprio corpo, além de lidar com questões complexas como a perda, a expressão de amor e ódio, o controle das emoções e o convívio social.
    Dependendo da maneira como a criança lida com essas questões nos primeiros anos de vida observa-se que padrões de comportamento são aprendidos, padrões estes que serão emitidos em situações semelhantes no futuro. Como exemplo pode-se citar crianças que são severamente repreendidas pelos pais quando se sujam ou quando acabam bagunçando a casa. Elas muitas vezes se tornam adultos contidos, tímidos, inseguros ou que buscam incessantemente agradar o outro independente de estar agradando a si mesmos.
    Não há uma regra que diga que toda a criança severamente repreendida acabe aprendendo os comportamentos citados acima, mas na clínica observa-se que comportamentos considerados problema na vida adulta (sejam eles timidez excessiva, falta de habilidades sociais, incapacidade de se relacionar amorosamente com outra pessoa) podem e normalmente são fruto de relações interpessoais problemáticas na infância.
    Os pais precisam ter consciência que seus filhos estão aprendendo o tempo todo, observando tanto os adultos como as crianças ao redor, para poderem ajudar a criança a aprender os comportamentos que serão positivos em sua vida, facilitando o convívio com o outro e a busca da satisfação pessoal. Os adultos podem e devem fornecer modelos positivos aos filhos para que, a partir desses modelos, a própria criança possa expressar seu verdadeiro eu para o mundo. 
    Quando for observada na criança alguma dificuldade em lidar com questões chave na vida de uma pessoa, como exemplo dividir algo com o outro, conseguir se expressar sem buscar constantemente a aprovação de um adulto, ou tolerar a frustração, é importante que os pais procurem a orientação de um psicólogo. 
    O profissional e os pais poderão juntos desenvolver estratégias para que a criança aprenda formas positivas de lidar com essas questões. Esse cuidado precisa existir para que padrões de comportamento negativos e que causam sofrimento sejam trabalhados logo que são identificados, evitando que a criança passe anos tendo dificuldades. 

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