quarta-feira, 7 de agosto de 2013

"Mas... E se der febre?"

Autora: Dra. Cláudia Carneiro - Especialista em Pediatria e Homeopata - CRM 78.981
   
    Essa pergunta não falta na primeira consulta de homeopatia. A febre é o que apavora as mães!!! E quando pensam em tratar seus filhos com homeopatia, muitas vezes isto torna-se um empecilho. Muitas mães na consulta logo perguntam o que farão mas outras até deixam de experimentar a homeopatia por medo de não poder usar um antitérmico.
    Costumo explicar às mães, independente de uma escolha homeopática, o que é, porque ocorre a febre e o que devemos fazer com ela! Então vamos lá...
    No sistema nervoso central, a temperatura corpórea é mantida em torno de 37° C., com variações de 0,6 a 1,1° C. durante o dia. Usualmente, define-se como febre a temperatura retal igual ou superior a 38° C., pois a temperatura nesse local apresenta a melhor correlação com a temperatura central. Medidas de temperatura tomadas em outros locais, como boca, axila, tímpano ou pele, têm maiores variações em relação à temperatura central e são menos confiáveis.
    Apesar disso, no Brasil e em muitos outros países a temperatura é tomada na axila e o conceito de febre é firmado para temperatura axilar acima de 37,3° C. A febre pode ser:

Leve: febre até 38, 5° C., com o estado geral da criança satisfatório.
Moderada: febre de 38,5 a 39,4° C., e estado geral pouco abatido, indisposto.
Grave: febre de 39,5° C. ou hipotermia (menos de 36° C.), com estado geral mais comprometido, criança gemente, muito sonolenta.

    A febre ocorre por diversos fatores que agridem o organismo. Podem ser agentes infecciosos como bactérias, vírus, fungos ou suas toxinas ou não infecciosos como toxinas, drogas, antígenos e funcionam como substâncias que atuam indiretamente no centro termorregulador no sistema nervoso central, resultando em febre.
    Deve ser distinguida da hipertermia, na qual há aumento da produção ou diminuição da perda de calor. Pode ocorrer quando há excesso de calor ambiental, incluindo excesso de agasalho, exercício físico intenso, desidratação. 
    A necessidade de tratamento da febre é polêmica, pois a resposta febril está associada a aspectos positivos, como o aumento da migração de neutrófilos e a produção de citocinas, que desempenham relevante papel na resposta imune para a eliminação de vírus e bactérias. Portanto, do ponto de vista médico, as indicações para combater a febre são bastante restritas, indicando-se antitérmicos apenas quando a temperatura alta é motivo de desconforto ou risco para a criança.
    Outra grande preocupação dos pais é a convulsão. A convulsão febril é uma entidade benigna que atinge crianças na faixa etária de seis meses a três anos e GENETICAMENTE PREDISPOSTA. Está associada a elevação súbita de temperatura. Além disso, hoje se sabe que as convulsões febris, embora indesejáveis, não acarretam o risco de lesão cerebral; ainda mais, as crianças de mais de um ano de idade e que já passaram pelo teste de ter algumas febres acima de 38,7° C. e não tiveram convulsão dificilmente estão expostas a esse desagradável evento.
    Bem, esclarecido que a febre não precisa ser um bicho de sete cabeças, como tratar a febre na homeopatia?
    Obviamente, se "permitirmos" que o próprio corpo se defenda do agente agressor não medicando a febre, seria ótimo,mas como pediatra e mãe, sei o quanto é difícil deixar a febre acontecer.
    Costumo trabalhar com a tolerância dos pais primeiramente. Se aos poucos esses pais perceberem que podem tolerar um pouco a febre, se sentirão mais seguros. Então costumo orientar que assim que perceberem que seu filho está quente, providencie a medicação de temperatura e então OBSERVE.
    Alguns dados da febre valem ouro para a Homeopatia,afinal muitos remédios de fundo são escolhidos durante a febre.

1. Quanto atingiu a temperatura (máximo da febre)?
2. Acompanhada de tremores? Sentia frio? Pediu cobertas?
3. A pele estava quente pelo corpo todo?
4. Houve mudança na coloração da pele?
5. Transpirava? Transpiração fria ou quente? Em que parte do corpo? (ATENÇÃO: a transpiração deve ser avaliada antes do antitérmico fazer efeito)
6. Houve mudanças no comportamento? Sonolento? Agitado? Pedia colo? Pediu para ficar sozinho?
7. Houve mudanças drásticas no apetite? Sede?

   Oriento que os pais TENTEM não medicar logo as febres leves, ou seja, menores que 38,5° C. e que retirem agasalhos e promovam um ambiente ventilado. Pode-se recorrer a banhos mornos de imersão por 10 a 20 minutos, deixando-se a água esfriar lentamente. Esse processo só deve ser utilizado se trouxer evidente conforto para a criança e não causar mais problemas para os pais. A água fria pode causar calafrios e tremores que,além do desconforto, aumentam a temperatura.
    Não colocar a criança febril com convulsão na banheira. O álcool pode ser absorvido pela pele e causar toxicidade sistêmica e, por isso, nunca deve ser utilizado. Convém estimular a criança a tomar líquidos (água, chá, suco, refrigerante) para evitar a hipernatremia, a qual aumenta a febre.
    Considero sempre, entretanto, a administração do antitérmico, orientada por profissional, evitando a automedicação.

Bibliografia:

Murayovski J. A Criança com febre no consultório J Pediatr (Rio J) 2003; 79 (Supl.1): S55-S6.

Bricks LF Tratamento da criança com febre Pediatria (São Paulo) 2006;28(3):155-8.

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