quarta-feira, 19 de março de 2014

Obesidade infantil - Parte 1

Autora: Dra. Elisabeth Fernandes - Pediatra Geral e Reumatologista Pediátrica
Mestre em Pediatria pela FMUSP e médica preceptora da pediatria da FUABC no Pronto Socorro Central de SBC
Atendimento em consultório particular em São Caetano do Sul
Website: : www.draelisabethfernandes.com.br

    Sobrepeso e obesidade são definidos pelo acúmulo anormal ou excessivo de gordura que prejudicam a saúde.
    A prevalência do sobrepeso e obesidade tem aumentado nas últimas 3 décadas de forma alarmante e devido a sua correlacão com problemas de saúde, a obesidade é considerada como um dos problemas de saúde mais sérios e desafiadores do século 21. As muitas dobrinhas que tanto faziam sucesso entre os bebês, hoje virou preocupação mundial.
    Globalmente, o número de crianças acima do peso, menores de 5 anos de idade, em 2011 foi estimado em mais de 42 milhões, sendo 35 milhões nos países em desenvolvimento.
    A Organização Pan-Americana de Saúde (Opas) estima que o número de crianças obesas do Brasil cresceu 240% nas últimas duas décadas.

Principais consequências da obesidade nas crianças:
·         
  •     Risco aumentado de apresentar diabetes tipo II, hipertensão arterial, hipercolesterolemia e outras doenças cardiovasculares como infarto do miocárdio
  •     Distúrbios osteoarticulares especificamente osteoartrite, maior risco de fraturas, tumores malignos e dificuldade respiratória
  •       Bullying e isolamento social.

Diagnóstico de obesidade:
·         
         O Índice de Massa Corpórea (IMC) é classicamente utilizado para classificação da obesidade no adulto, mas o seu uso em crianças e adolescentes é inadequado.
·           Em 2009 a Coordenação Geral da Política de Alimentação e Nutrição do Ministério da Saúde do Brasil passou a adotar as curvas desenvolvidas pela OMS em 2007, que incluem curvas de IMC desde o lactente até os 19 anos de idade.
·           Considera-se  como peso excessivo os valores acima do percentil 85 e como obesidade grave os valores acima do percentil 97.
·            Por meio dos escores z (desvios-padrão), considera-se como obesidade os valores situados acima do +2 escore z e como obesidade grave valores acima do +3 escore z do IMC.
·         Tais curvas são fundamentais tanto para o diagnóstico quanto para a avaliação da evolução do paciente durante o tratamento.
·             Somente visualizando o gráfico da criança é que podemos verificar o quanto pequenas variações no peso e, consequentemente, no IMC podem ser significantes.

Valores de referência para diagnóstico do estado nutricional utilizando as curvas de
IMC para idade, da Organização Mundial de Saúde.


Percentil
Z score
Diagnóstico nutricional
< Percentil 0,1
<Z score z -3
Magreza acentuada
≥ Percentil 0,1 e < Percentil 3
≥ Z score z -3 e < Escore -2
Magreza
≥ Percentil 3 e < Percentil 85
≥ Z score z -2 e < Escore +1
Eutrofia

≥ Percentil 85 e < Percentil 97
≥ Z score z +1 e < Escore +2
Sobrepeso
≥ Percentil 97 e ≤ Percentil 99,9
≥ Z score z +2 e ≤ Escore +3
Obesidade
> Percentil 99,9
>Z score z +3
Obesidade grave


Considerações importantes:
·        
  • Uma criança acima do peso provavelmente será um adulto obeso.
  • A maioria dos casos de obesidade está relacionado com aumento da ingestão diária de calorias em relação ao gasto calórico total. Causas secundárias de obesidade como doenças e medicamentos são muito raras.
  • A perda de peso requer restrição calórica e prática adequada e constante de exercício físico. 
Fontes:

1.        Centers for Disease Control and Prevention,SA.http://www.cdc.gov/obesity/index.html
2.    Obesidade na infância e adolescência – manual de orientação – Departamento cientifico de Nutrologia da Sociedade Brasileira de Pediatria 2008.
3.        Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica – ABESO – fevreiro 2011

Nenhum comentário:

Postar um comentário