quarta-feira, 18 de junho de 2014

Bebês chiadores

Entrevistado: Dr. Fábio Muchao - Pediatra e Pneumologista infantil formado pela Universidade de São Paulo - USP. Além de atuar como médico pneumo pediatra, é pesquisador com Mestrado concluído na USP, doutorando pela mesma Universidade, sendo autor de publicações científicas em pneumologia e pediatria. CRM 100688.
Tel: (11) 3205-2461/ (11) 3231-0051

Bebês chiadores ou lactentes sibilantes, como o próprio nome diz, apresentam crises frequentes de chiado no peito (sibilância) com graus variáveis de cansaço. É uma situação muito comum em crianças menores de um ano, e na maioria dos casos, algo que costuma melhorar até os dois anos de idade.
As principais causas destas crises são infecções virais que atingem o território pulmonar (bronquiolites) e por isso elas ocorrem mais frequentemente no outono e inverno, época de maior circulação destes vírus.
O curso inicial das bronquiolites é brando e caracterizado por sintomas como coriza, tosse intermitente e eventualmente febre.  Porém, após cerca de três ou quatro dias a sintomatologia torna-se mais intensa, a tosse passa a ser importante e nota-se o chiado no peito. Neste momento, o bebê pode sentir dificuldade para brincar, mamar, dormir, etc. Em alguns casos, é necessária internação hospitalar.
Um bebê pode sofrer várias bronquiolites nos primeiros meses de vida e desenvolver uma espécie de hiper-reatividade brônquica, que seria uma predisposição a sofrer novas crises desencadeadas por diversos estímulos infecciosos ou ambientais.
Além disso, outros fatores podem tornar um bebê mais propenso a se tornar um sibilante recorrente ou piorar um quadro já instalado, entre eles podemos citar: antecedentes pessoais ou familiares (pais e irmãos) de alergia, prematuridade, exposição ao tabaco, refluxo gastro esofágico, poluentes ambientais, poeira doméstica, entre outros.
O tratamento das crises é baseado na hidratação, medicações broncodilatadoras e eventualmente outras drogas, mas qualquer medicação só deve ser administrada sob orientação médica. Porém existem medidas que podem ser adotadas tranquilamente no dia a dia pelos pais como inalações e lavagem nasal com soro fisiológico. Exercícios de fisioterapia respiratória também são úteis e em ambiente hospitalar a oxigenoterapia é fundamental.
Quando um bebê passa a ter crises com muita frequência, necessita internações ou visitas a pronto-socorros e tem sua rotina diária afetada, é interessante procurar um pneumologista infantil e iniciar uma investigação diagnóstica e um tratamento preventivo. Diversas estratégias de tratamento podem amenizar as recorrências e melhorar a qualidade devida da criança e da família.

Manter a higiene da casa, evitar o tabaco, o excesso de tapetes, cortinas e bichos de pelúcia e manter animais domésticos (cães, gatos) sempre limpose tosados pode contribuir para o sucesso do tratamento de um bebê chiador.

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