quarta-feira, 6 de janeiro de 2016

Entrevista com a Dra. Kelly Oliveira

ENTREVISTA COM A DRA. KELLY OLIVEIRA

Dra. Kelly Oliveira é formada em medicina pela Unicamp e pediatra pela Universidade de São Paulo (USP), atualmente cursa Alergia e Imunologia na Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP). Pediatra e Neonatologista em dois Hospitais do Sistema Único de Saúde (SUS) em parceria com o Hospital Israelita Albert Einstein, também atende em consultório particular, localizado em São Paulo. 

Telefone para agendar consulta: (11) 5088-6699. 

Autora do blog Pediatria Descomplicada (www.pediatriadescomplicada.come consultora em amamentação da Lansinoh.  Relacionado a saúde do universo infantil, com várias dicas e orientações da própria Dra Kelly.

Super Mãe: Qual a importância da amamentação para o bebê e para a mãe?

Dra. Kelly: O leite materno é o alimento perfeito para o bebê. O leite materno é um liquido dinâmico e vivo, que varia de acordo com as necessidades do bebê em cada fase da vida (colostro, leite de transição e leite maduro), varia ao longo da mamada e ao longo do dia. O leite materno contém células vivas de defesa e imunoglobulinas que são passadas ao bebê, que o protegem contra infecções. Além disso, o leite materno é rico em ácidos poli-insaturados de cadeia longa, os famosos DHA e ARA, é abundante no leite materno e são responsáveis pelo desenvolvimento do cérebro e da visão do bebê. O leite materno também é um fator de proteção para alergias, obesidade e diabetes no futuro. Para a mamãe, o leite materno ajuda sim a emagrecer (para alegria das mamães!), pois amamentar (principalmente em livre demanda), promove um gasto médio de 500kcal diárias! Além disse, protege a mãe contra câncer de mama, câncer de colo uterino e útero, além de diminuir o risco da mãe desenvolver diabetes no futuro. Claro que amamentação é muito mais que isso, pois acima de tudo promove o vínculo entre mãe e filho, um carinho e um amor que não tem preço!


Super Mãe: O período de amamentação oferece algum risco do ponto de vista estético (queda das mamas, por exemplo) para as mulheres? Se sim, há alguma forma de evitar tais problemas?

Dra. Kelly: O período de amamentação não fornece nenhum risco estético às mamães, desde que elas façam atividades físicas regulares (após o período de resguardo), e também cuidem da sua saúde e alimentação. Há um aumento da mama natural das lactantes, e essa diminuição acontece depois que a mãe para de amamentar. Mamães com prótese mamária, ou cirurgia de redução de mama podem amamentar sem problemas também.

Super Mãe: Após o nascimento e durante o período de amamentação algumas mulheres desenvolvem depressão pós-parto. A doutora poderia falar mais a respeito?

Dra. Kelly: O blues puerperal acomete até 60% das mulheres no pós-parto e é relacionado a uma condição de fragilidade emocional após o parto. Os sintomas são insônia, choro fácil e alterações de humor.  A depressão pós-parto atinge até 10% das mulheres no pós-parto, e nada mais é que os sintomas de depressão, porém relacionados ao momento após o parto, e que está intimamente relacionada com o momento do nascimento e ter um bebê em casa para cuidar. Os sintomas são mais graves do que somente uma tristeza, labilidade emocional ou sentimento de impotência. A mãe pode ter irritabilidade, fadiga extrema e até pensamentos de se ferir ou ferir o bebê. É uma condição de risco que precisa ser identificada e tratada rapidamente, com especialista.

Super Mãe: Há alguma forma de prevenir essa condição? Medicamentos antidepressivos são utilizados?

Dra. Kelly: A melhor prevenção para essa condição é o apoio da família, do marido, com um suporte familiar que ajude essa mãe e dê segurança a ela. O médico deve estar sensível para essa condição e deve ficar atento caso a mãe apresente algum dos sintomas acima.  O tratamento da depressão pós parto deve ser o acompanhado por uma equipe multiprofissional, com médico, psicólogo, uma boa equipe de apoio, grupos de mães e gestantes também é interessante nessa situação e as vezes é necessário medicar, mas deve ser feito somente pelo médico.

Super Mãe: Qual o papel do pediatra nesse momento da vida do bebê e da mãe?

Dra. Kelly: O papel do pediatra é fundamental, pois ele que vai orientar sobre essa fase da vida do bebê e essa fase para os pais também. O pediatra é responsável por orientar os primeiros cuidados, amamentação, sono, vacinas e as dúvidas que as mães podem ter. Além disso, é um suporte para as mães nos momentos mais difíceis.

Super Mãe: As mães que procuram a doutora em seu consultório estão mais cientes dos cuidados que precisam ter ao engravidar, durante a gravidez e no período pós-parto?

Dra. Kelly: Sim, com certeza, em meu consultório faço a consulta de pré-natal para acompanhamento da gestante antes mesmo do bebê nascer, oriento sobre a rotina do bebê, cuidados com o bebê, o banho, coto umbilical, orientações sobre amamentação, o que esperar, o que fazer e o que não fazer, como é o sono do bebê e o que esperar também, enfim tanta coisa! Considero essencial esse primeiro contato. Tudo isso para que o período entre o nascimento do bebê e os primeiros dias seja prazeroso e não extremamente exaustivos e difíceis para a família como um todo.

Super Mãe: A doutora gostaria de falar algo mais?

Dra. Kelly: A informação é a melhor coisa que podemos buscar nesse momento, e o ideal é que os pais procurem o pediatra antes mesmo de o bebê nascer, para conseguir ter o máximo de informações sobre cuidado com o bebê, amamentação, sono do bebê e tudo que a espera para essa fase. Procurar ler livros, artigos, vídeos e até posts sobre o assunto também é super válido! Além disso participar de grupos de gestantes e mães também é uma opção muito interessante, pois é lá que se compartilham experiências, podemos desabafar e saber que tem outras pessoas passando pelas mesmas dificuldades que passamos.

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