quarta-feira, 13 de junho de 2018

Endometriose é responsável por 50% dos casos de infertilidade feminina


No mês de conscientização sobre a infertilidade, ampliar o debate sobre o assunto é importante para facilitar o acesso ao diagnóstico e tratamento da endometriose


A infertilidade acomete 15% da população mundial. Pode ser considerado infértil o casal que tenta engravidar há mais de um ano, mantendo relações sexuais frequentemente e sem o uso de qualquer método contraceptivo. Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), apontam que em 40% dos casos, a condição para a infertilidade está na mulher. Em outros 40%, no homem e em 20%, as causas para a doença são desconhecidas.

Nas mulheres, uma das principais causas de infertilidade é a endometriose e ocorre em 50% dos casos. "Esse número corresponde, principalmente, às que são assintomáticas, ou seja, àquelas que não apresentam período menstrual doloroso ou nenhum outro sintoma da doença", afirma Caroline Salazar, ativista e autora do blog A Endometriose e Eu, no qual relata sua relação com a doença e leva conteúdos exclusivos com a colaboração de especialistas nacionais e internacionais sobre a doença. A endometriose afeta uma em cada dez meninas e mulheres em todo o mundo. O diagnóstico da doença, muitas vezes tardio, afeta o tratamento e a qualidade de vida das mulheres, que podem sofrer com cólicas menstruais incapacitantes, dor pélvica fora do período menstrual, dor no ato sexual, entre outros sintomas, entre eles, a infertilidade.
Em seu blog, Caroline recebe muitas dúvidas em relação ao mito de que a endometriose fará com que a mulher não consiga engravidar nunca. "Um bom especialista saberá conduzir a mulher para que ela realize o tratamento mais adequado e consiga engravidar, seja por meios naturais ou por meio da reprodução assistida", ressalta Salazar.

O tratamento da endometriose pode ser realizado de diversas formas, muitas delas, porém, não apresentam a cura da doença."A única cura possível, de acordo com especialistas como o Dr. David Redwine e o Dr. Alisson Zanata, é a partir da excisão cirúrgica, que remove totalmente os focos", afirma Caroline. "Além disso, é fundamental que o cirurgião conheça e saiba reconhecer todas as manifestações da endometriose", enfatiza. Ela aponta que o blog traz histórias de mulheres que, assim como ela, conseguiram a cura da doença a partir da técnica. "Vale lembrar, no entanto, que o tratamento pode ser clínico e depende, principalmente, do desejo da mulher e de seu quadro", pontua.

A ativista defende, para isso, que o tratamento seja humanizado e que as mulheres portadoras da endometriose não saiam dos consultórios com dúvidas. Para ela, é importante buscar informações dentro e fora dos consultórios, conversando, inclusive, com outras pacientes dos especialistas consultados. "Outro ponto importante é sempre procurar por um especialista que irá, de fato, escutá-la e acolhê-la". Para a autora do blog A Endometriose e Eu, é importante falar sobre a doença todos os dias. "Ao explicar sobre os sintomas da endometriose e a relação dela com outras condições, como a infertilidade, podemos evitar que outras meninas e mulheres sofram com a doença durante tantos anos, como eu sofri, sem o diagnóstico correto", pontua Caroline Salazar.

Sobre o blog A Endometriose e Eu:
Criado em 2010 pela jornalista e portadora de endometriose, Caroline Salazar, é referência no assunto entre portadoras, médicos e cientistas no Brasil e no mundo por ter sido pioneiro em retratar a vida de uma portadora da doença e por trazer textos exclusivos sobre a endometriose de pesquisadores internacionais renomados. O blog foi, ainda, o campeão da categoria Saúde em 2012 pelo TopBlog Brasil, eleição realizada sob voto popular e, em 2013, seguiu no topo da lista como o terceiro mais votado. Confira: http://aendometrioseeeu.com.br/.

Nenhum comentário:

Postar um comentário