quarta-feira, 19 de dezembro de 2018

Como promover uma alimentação saudável às crianças diante da fartura das festas de Natal e Ano Novo



Uma das indagações que mais inquietam os pais surge também no período de festas de fim de ano: por que as crianças têm uma aversão predisposta em relação aos vegetais?

Estudos na Universidade de Loughborough - um dos principais centros de pesquisa em psicologia infantil, com especialização em hábitos alimentares infantis -  liderados pelas Dra. Gemma Witcomb e Dra. Emma Haycraft, criaram uma lista de dicas para combater esse repúdio às saladas, frutas e verduras, como parte de uma campanha de saúde e bem-estar no Natal e no Ano Novo.

A biologia evolutiva dá às crianças um presente maravilhoso no Natal: uma desculpa científica comprovada para não gostar dos brotos vegetais. Nossos ancestrais aprenderam a desenvolver uma preferência por sabores doces, que sinalizavam alto conteúdo de energia, sobre alimentos amargos, que corriam o risco de ser podres ou venenosos, à medida que caçavam e se alimentavam para sobreviver.

Então os jovens não estão sendo estranhos quando dizem que não gostam de verduras, eles estão simplesmente exibindo instintos naturais de nossos ancestrais coletores. A recusa alimentar é, na verdade, um estágio previsível do ponto de vista do desenvolvimento, pelo qual a maioria das crianças passa, com um pico de 18 a 24 meses de idade. Se o seu filho estiver nesta fase da vida, não se surpreenda se o jantar de Natal não for engolido com alegria. Igualmente, não se surpreenda se eles parecerem mostrar mais interesse em comer doces e sobremesas de Natal do que as couves de Bruxelas. A preferência por sabores doces e a antipatia por sabores amargos são inatas e estão fortemente enraizadas em nossa biologia evolutiva, além de serem úteis como oferta de alimentos de alta densidade de energia e a preferência por alimentos frescos. O importante é como esses comportamentos alimentares são gerenciados.

Combata a confusão das ceias de Natal com estas dicas: 

  • Relaxe a pressão: o período festivo é bastante estressante. Não se concentre na rejeição dos vegetais por parte do seu filho e não o pressione a comer algo que ele não quer. Não é o momento para incentivá-lo a gostar disso a longo prazo. 

  • Aproveite as muitas refeições e encontros familiares como uma oportunidade para modelar um comportamento alimentar saudável: as crianças aprendem com os outros e, muitas vezes, tentam um novo alimento se virem outras pessoas comendo e desfrutando. Existe um vegetal que você está lutando para convencer seu filho a comer? Sirva-se em uma refeição em família e faça com que os outros se envolvam em mostrar ao seu filho que o gosto é bom. 

  • Observe o tamanho das porções, pois o Natal é frequentemente associado ao excesso. Certifique-se de não fornecer quantidades pouco realistas às crianças e, tampouco, pressione-as para que comam tudo. Continuamente, isso leva a criança a não reconhecer quando está satisfeita, além de não promover refeições alegres e saudáveis.

  • Elogie seu filho por comer (qualquer quantidade) de sua refeição e por experimentar novos alimentos. Todos gostamos de elogios e isso motiva os pequenos a novos hábitos alimentares. 

  • Evite ter muita comida à mostra, se você não quer que seu filho coma. A restrição ostensiva a um tipo de alimento torna-o altamente valorizado e, consequentemente, este alimento passará a ser consumido em excesso quando o acesso for livre. Tente manter a comida fora da vista até que a criança esteja na cama ou, ainda, você pode fracioná-la em porções do tamanho apropriado. Isso facilita que a criança aprenda a comer com moderação.

  • Lembre-se: é Natal e alguma indulgência é permitida como parte de um estilo de vida saudável.

Quando confrontados com uma criança que tem uma dieta limitada, recusando alimentos, incluindo alimentos que já haviam gostado anteriormente e mostrando preferências apenas por alimentos pouco saudáveis, muitos pais sentem-se inseguros sobre como administrar cada refeição. E, em alguns casos, as táticas usadas podem exacerbar inadvertidamente o problema. Mas acredite: seguindo estes simples indicadores você estará contribuindo para uma educação alimentar e pode encorajar os pequenos a melhorar a dieta, despertando hábitos alimentares saudáveis.

 
*Dr. Hugo da Costa Ribeiro é pediatra especializado em doenças metabólicas e infecciosas, Fellow em Nutrologia Infantil pela Universidade de Cornnel em New York e professor Associado do Departamento de Pediatria da FMB da Universidade Federal da BahiaTem experiência na área de Medicina, com ênfase em Nutrologia Pediátrica. Também foi consultor da Organização Mundial da Saúde (OMS) e do Ministério da Saúde

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