quarta-feira, 2 de setembro de 2020

Parto normal na atualidade: com anestesia e indução de contrações uterinas ou sem intervenção, conforme escolha da mãe, o parto pode ser facilitado e permitir que a mulher e o bebê obtenham todos os benefícios da técnica


Conforme explica a Dra. Mariana Rosario, ginecologista, obstetra e mastologista, o desejs da mulher deve ser respeitado e o esclarecimento sobre a hora do parto deve ocorrer durante todo o pré-natal, para que a mãe fique confiante para este momento. A adoção de fisioterapia específica para o parto normal facilita todo o processo e mesmo mulheres que passaram por uma cesariana podem ter o segundo filho pela via vaginal

 

Dra.  Mariana Rosario, ginecologista, obstetra e mastologista

O parto vaginal (também chamado de normal) é a melhor opção para mães e bebês. Essa é a opinião da Dra. Mariana Rosario, ginecologista, obstetra e mastologista, que já realizou mais de 5 mil partos em sua carreira. “Além da recuperação da mulher ser mais rápida, o bebê ganha muito com o parto normal. São benefícios que a cesárea infelizmente não traz e todas as mulheres sem impedimentos médicos deveriam tentar ter seus filhos pela via vaginal”, diz a médica.

Ela conta que as mulheres que chegam ao seu consultório geralmente sentem medo das dores do parto vaginal. Atualmente, porém, esse não é um impedimento para a realização do parto normal. “Como existe a possibilidade de usarmos anestesia e indução de contrações, as dores não são mais um problema”, diz a médica.

Entenda o procedimento, atualmente

Dra. Mariana Rosario explica que existem dois tipos de parto: o vaginal (também chamado de natural ou normal) e o cirúrgico (a cesariana/cesárea). Os partos vaginais podem ser cirúrgicos – aqueles realizados com intervenção médica, como anestesia e aplicação de ocitocina, um hormônio para induzir as contrações uterinas – e naturais, quase sem intervenções ou apenas com algumas, necessárias.

O parto normal independe da posição. A mulher pode escolhê-la, conforme se sentir mais preparada e confortável: deitada, de cócoras, na banheira, cadeira de parto... Quanto ao local, também dependerá da escolha materna e das condições de saúde da mulher e do bebê, avaliadas previamente pelo obstetra. “Um parto domiciliar precisa ser muito bem planejado, com equipe médica, obstetra, anestesista, e aparelhagem, pois não contará com estrutura hospitalar. Nesse caso, a mãe tem que ter passado por uma gestação de baixo risco e o bebê ser a termo, ou seja, entre a 37ª e a 42ª semana”, explica a médica.

Se a opção for uma banheira, ao nascer na água, a transição do bebê do útero para o exterior é mais tranquila, pois a água morna imita o líquido amniótico. E, segundo pesquisadores norte-americanos, os riscos são iguais ao nascer em terra firme.

Como as mulheres devem ser preparadas, durante o pré-natal

O preparo adequado das mulheres para o parto normal nem sempre acontece. “Infelizmente, boa parcela da população não tem acesso a especialistas, que ajudam a mulher a combater o medo, a receber informações que a tranquilizem e a ter o melhor cuidado para o momento do parto, que deve ser o melhor, para ela”, pondera a Dra. Mariana.

Segundo ela, contar com a ajuda de um fisioterapeuta é importante para a saúde da mulher. “A fisioterapia é imprescindível para o parto normal, porque é um trabalho de fortalecimento do assoalho pélvico. Além disso, o fisioterapeuta ensina a mãe a fazer força no momento certo; a respirar corretamente; a relaxar o períneo, de forma que a passagem do bebê seja facilitada e, também, a trabalhar a musculatura necessária para o parto”, explica.

Há mulheres, também, que podem contar com a ajuda de uma enfermeira-obstetra e doula. A enfermeira acompanha a mulher na gestação, dando suporte técnico a ela principalmente no momento do parto e no pós-parto, ajudando-a na amamentação, troca do bebê, banho e cuidados iniciais. Já a doula tem o papel de confortar a gestante emocionalmente, com técnicas de relaxamento e massagens, para que a mãe sinta-se mais segura e amparada na hora do parto. “Quanto melhor é a rede de apoio da mulher, mais confiante ela chega ao parto. De qualquer forma, como todas têm direito ao pré-natal, é importante que confiem no obstetra, ainda que ele seja o único profissional disponível, e que façam a ele todas as perguntas que as levem a esclarecer suas dúvidas e medos, porque o parto normal vale a pena”, completa.

Benefícios para a mulher

No parto normal, a mãe tem participação mais ativa no nascimento do filho e, por não passar por corte cirúrgico e nem instrumentos, tem menor risco de pegar alguma infecção, assim como o seu filho. Outra vantagem é o tempo de recuperação da mãe, que é bem menor, se comparado àquelas que fizeram cesárea. Essa mãe ainda terá toda a produção hormonal mais intensa e muito mais saudável para a relação entre mãe e filho. No pós-parto do parto normal, o tempo para o útero se recuperar e voltar ao antigo tamanho é muito mais rápido, se comparado com a cesárea.

Benefícios para o bebê

Como o próprio nome diz, nascemos por via normal, sem interferência, e isso já é a primeira vantagem para o bebê. Quando a criança passa pelo canal de parto, seu tórax é comprimido e isso ajuda a eliminar o líquido amniótico de seus pulmões. Isso faz com que apenas 3% das crianças nascidas dessa forma sejam enviadas à UTI por desconforto respiratório transitório. E, em casos de trabalho de parto muito longo, o médico consegue avaliar o sofrimento da criança por meio da cardiotocografia basal, um exame realizado no momento do parto.

Os hormônios maternos também se alteram durante o trabalho de parto, causando no bebê uma resposta mais ativa, ao nascer: os sinais vitais são mais fortes e eles conseguem mamar com mais facilidade, já ao nascer.

Outro benefício é em relação à microbiota vaginal: o parto normal reforça o sistema imunológico. É na hora do parto, com a passagem do bebê pela vagina, que o bebê tem contato com a microbiota materna e esse aporte imunológico imprime na genética do filho uma saúde melhor, evitando várias doenças que ele poderia desenvolver na vida, até a fase adulta.

Quando o bebê não nasce em parto normal, não passa pelo canal vaginal e, consequentemente, não tem contato com a microbiota da mãe. Assim, não recebe esse reforço imunológico, ficando mais suscetível a infecções e alergias.


Sobre a Dra. Mariana Rosario

Formada pela Faculdade de Medicina do ABC, em Santo André (SP), em 2006, a Dra. Mariana Rosario possui os títulos de especialista em Ginecologia, Obstetrícia e Mastologia pela AMB – Associação Médica Brasileira, e estágio em Mastologia pelo IEO – Instituto Europeu de Oncologia, de Milão, Itália, um dos mais renomados do mundo. É membro da Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM) e da Associação de Obstetrícia e Ginecologia do Estado de São Paulo (SOGESP) e especialista em Longevidade pela ABMAE – Associação Brasileira de Medicina Antienvelhecimento. É médica cadastrada para trabalhar com implantes hormonais pela ELMECO, do professor Elsimar Coutinho.

Possui vasta experiência em Ginecologia, Obstetrícia e Mastologia, tanto em Clínica Médica como em Cirurgia Oncoplástica. Realiza cursos e workshops de Saúde da Mulher, bem como trabalhos voluntários de preparação de gestantes, orientação de adolescentes e prevenção de DST´s. Participou de inúmeros trabalhos ligados à saúde feminina nas mais variadas fases da vida e atua ativamente em programas que visam ao aprimoramento científico. Atualiza-se por meio da participação em cursos, seminários e congressos nacionais e internacionais e produz conteúdo científico para produções acadêmicas. É médica cadastrada para trabalhar com implantes hormonais pela ELMECO, do professor Elcimar Coutinho, um dos maiores especialistas no assunto.

Dra. Mariana Rosario – Ginecologista, Obstetra e Mastologista. CRM- SP: 127087. RQE Masto: 42874. RQE GO: 71979.


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