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A escova que você usa desde criança pode estar te fazendo mal

  • blogsupermae
  • há 2 dias
  • 2 min de leitura

Você provavelmente escolhe sua escova de dentes do mesmo jeito há anos — a mesma cerda, o mesmo tamanho, quase no automático. Faz sentido: ninguém costuma ensinar que isso devia mudar. Só que a boca muda ao longo da vida, e a rotina que funcionava aos 10 anos não protege da mesma forma aos 40. Segundo a Pesquisa Nacional de Saúde (PNS/IBGE), quase metade dos adultos brasileiros — 46% — nem usa escova, pasta e fio dental de forma combinada.


“A necessidade de adaptar as ferramentas de higiene bucal não é uma questão estética, mas de biologia aplicada”, explica a Dra. Brunna Bastos, mestre e cirurgiã-dentista pela Faculdade de Odontologia da USP e especialista da GUM. Segundo ela, a escolha da escova e do fio dental precisa acompanhar a idade e as necessidades de cada fase.


Na infância, o problema mais comum é a cárie, enquanto o esmalte dos dentes ainda está se formando. Na adolescência, entra outro fator: hormônio. A puberdade altera a vascularização da gengiva, e a Organização Mundial da Saúde estima que mais de 75% dos adolescentes têm algum grau de gengivite — a mistura de hormônio e escovação displicente cobra seu preço.


Na vida adulta, o vilão muda de nome: estresse. Ranger ou apertar os dentes sem perceber — o bruxismo que aparece em noites maldormidas ou dias tensos — gera microtraumas que a pessoa nem sente acontecer. E, se a escolha continuar sendo por cerdas duras ou médias, “achando que força é sinal de limpeza”, como diz Brunna, o desgaste do esmalte acelera e a dentina fica exposta, com toda a sensibilidade que isso traz.


Segundo o Ministério da Saúde, mais da metade dos adultos entre 35 e 44 anos tem algum grau de sangramento ou inflamação na gengiva — quadro que costuma piorar com fio dental usado de forma errada ou escova inadequada para aquela fase. Já na terceira idade, o problema muda de novo: a boca seca. Uma revisão publicada no Journal of the American Dental Association mostra que 1 em cada 4 idosos convive com xerostomia, frequentemente causada por remédios para pressão, diabetes ou depressão.


A saliva é o que neutraliza ácidos e remineraliza os dentes; sem ela, as bactérias proliferam mais rápido, e a cárie de raiz e as inflamações ao redor de implantes e próteses se tornam mais comuns. Nessa fase, a escova tradicional já não dá conta. Não existe uma escova perfeita para todo mundo, em todas as fases — existe a escova certa para o momento que seu corpo está vivendo agora. Vale revisar: o tamanho da cabeça, a maciez das cerdas, se o fio dental (ou outro recurso interdental) ainda faz sentido do jeito que você usa. Na próxima troca, talvez valha menos perguntar “qual é a melhor” e mais “qual é a certa para mim, hoje”.


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