O corpo avisa: sinais que merecem atenção na gravidez
- blogsupermae
- há 2 dias
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Priscila notou primeiro o inchaço. Cinco quilos em um mês, sem explicação clara. Depois veio a vontade de doce, insistente, e uma sensação estranha de ressecamento na boca. Os exames de rotina vieram normais. Mesmo assim, ela insistiu para repetir.
Foi assim que descobriu, no sétimo mês da segunda gravidez, que estava com diabetes gestacional. Uma condição que hoje atinge cerca de 18% das gestações no Brasil, segundo a Sociedade Brasileira de Diabetes — e que, na maioria dos casos, não dá sinal nenhum antes dos exames.
O diabetes gestacional é o aumento dos níveis de açúcar no sangue durante a gravidez. Costuma aparecer entre a 24ª e a 28ª semana, quando os hormônios produzidos pela placenta começam a interferir na forma como o corpo usa a insulina. Na maior parte das vezes, passa despercebido — só aparece no exame.
Segundo a endocrinologista Joana Dantas, do Hospital Universitário Clementino Fraga Filho (UFRJ), alguns fatores aumentam o risco: histórico familiar de diabetes tipo 2, sobrepeso antes da gravidez, ganho de peso acima do recomendado, idade materna acima de 35 anos e diabetes gestacional em gravidez anterior, entre outros.
Nada disso significa que a gestante fez algo errado — só que vale a pena ficar mais atenta. Joana explica que o que mais protege, nesse caso, é constância: comer bem, evitar longos períodos em jejum, priorizar fibras e carboidratos complexos como aveia e batata-doce, e se manter em movimento — cerca de 150 minutos de atividade física leve por semana, sempre com liberação médica.
Um dos avanços que vem mudando esse acompanhamento são os sensores de monitoramento contínuo da glicose. A picada no dedo mostra uma foto do momento; o sensor, usado por dias seguidos, mostra o filme inteiro — picos, quedas, o comportamento da glicemia enquanto a gestante dorme, come, se exercita. É esse histórico completo que ajuda o médico a ajustar o tratamento com mais precisão.
A MedLevensohn, indústria brasileira de saúde, é uma das empresas que produz esse tipo de sensor no país. O modelo Smart 2.0 tem aprovação da Anvisa, pode ser usado por até 15 dias, é resistente à água e é um dos únicos liberados para uso em crianças a partir dos dois anos.
Priscila foi uma das gestantes que passou a usar o dispositivo. “Cortamos tudo — massas, açúcar. Chorei ao ver um chocolate e pensar que não podia comer”, lembra. A rotina virou outra: insulina, alimentação ajustada, caminhadas leves — ela tem hérnia de disco lombar, então não podia forçar mais que isso. No último mês da gravidez, em vez de ganhar peso, perdeu sete quilos, com segurança, sob acompanhamento.
Hoje o filho de Priscila tem quatro anos, saudável, sem nenhuma alteração glicêmica. Ela segue se cuidando — caminha, evita frituras e doces, porque na família há histórico de diabetes. O que ela guarda da experiência é simples: o corpo avisa. Se algo parecer diferente — inchaço fora do padrão, sede ou fome que não faz sentido, vontade de doce que não passa — vale voltar ao médico e pedir os exames de novo, mesmo que a primeira resposta tenha sido “está tudo bem”.

