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Volta ao trabalho: dá para continuar amamentando, sim

blogsupermae
há 2 horas
3 min de leitura

Com planejamento, é possível manter a amamentação mesmo depois do fim da licença-maternidade — sem precisar lotar o freezer nem abrir mão da rotina com o bebê. A licença acabou. E, entre organizar o que vai vestir no primeiro dia e deixar tudo certo para quem vai cuidar do bebê, uma pergunta insiste em aparecer: como fica a amamentação agora?


É uma das dúvidas mais comuns entre as mães que retornam ao trabalho e não querem desmamar. Vai dar para manter a produção de leite? Precisa estocar um freezer inteiro antes de sair de casa? E se a produção cair? Segundo dados do Sistema de Vigilância Alimentar e Nutricional (Sisvan), 59% dos bebês de até seis meses acompanhados pela Atenção Primária do SUS estavam em aleitamento materno exclusivo no levantamento parcial de 2026 — um número que mostra que muitas mães estão conciliando as duas coisas, mesmo com a rotina apertada.


E a boa notícia é: dá para continuar. A Dra. Carolina Curci, ginecologista, obstetra e consultora da Lansinoh, explica que a separação de algumas horas por dia não precisa significar o fim da amamentação.


“O retorno ao trabalho representa uma mudança importante na rotina, mas não precisa significar o desmame. Com planejamento, a mãe consegue organizar os momentos de ordenha e deixar leite para o período em que estará longe do bebê, mantendo as mamadas quando estiverem juntas.”


Esqueça a ideia do freezer lotado

Se você está tentando estocar o máximo de leite possível antes do primeiro dia de volta, pode respirar. Segundo a especialista, o que sustenta a amamentação a longo prazo não é o volume guardado, e sim uma rotina de ordenha que você consiga manter. Vale testar a retirada de leite ainda antes do retorno, para entender quanto consegue tirar e em quanto tempo. Também ajuda pensar em quantas horas o bebê vai ficar longe de você e quem vai oferecer o leite nesse período.


“Não existe uma quantidade de leite que funcione para todas as mães. O planejamento deve levar

em conta a rotina da mulher, a idade do bebê e o tempo que eles ficarão separados”, orienta a Dra. Carolina. Uma reserva possível, mantida com constância, costuma funcionar melhor do que uma corrida contra o tempo para encher potes.


Como encaixar a ordenha no meio do expediente

A frequência da retirada é o que mais influencia a produção — quanto mais leite sai, mais o corpo entende que precisa produzir. Por isso, vale tentar fixar horários de ordenha ao longo do dia, alinhados com sua rotina de trabalho e com o padrão de mamadas do bebê. Um lugar tranquilo, com privacidade e tempo sem pressa, também faz diferença. Não é só sobre esvaziar as mamas — é sobre conseguir fazer isso sem ansiedade, espremida entre uma reunião e outra.


O que geralmente atrapalha

• deixar tudo para a última semana antes de voltar

• não ter horário fixo de ordenha no expediente

• ficar muitas horas seguidas sem retirar o leite

• tentar criar uma reserva muito maior do que o necessário

• não alinhar com quem cuida do bebê como o leite deve ser armazenado e oferecido

• achar que qualquer dificuldade no meio do caminho significa que é hora de parar


Vale lembrar: a rotina não precisa ser perfeita. Dá para amamentar quando vocês estão juntas e usar o leite ordenhado nos momentos de ausência — os dois formatos convivem bem.


O bebê também está se adaptando

Essa mudança não é só sua. O bebê também precisa se acostumar com uma nova dinâmica, principalmente quando outra pessoa passa a oferecer o leite em algumas mamadas. Testar essa rotina antes da volta ajuda os dois lados. Deixe o cuidador participar da oferta do leite algumas vezes antes do primeiro dia, e observe como o bebê reage — pequenos ajustes costumam resolver boa parte dos estranhamentos iniciais. “Cada família vai encontrar uma dinâmica diferente.


O objetivo não é criar uma rotina perfeita, mas uma rotina possível e sustentável. A mãe não precisa escolher entre trabalhar e amamentar: com informação, planejamento e apoio, é possível conciliar as duas coisas”, completa a especialista.Se a volta está próxima e a cabeça ainda está cheia de perguntas, isso é normal. Vai ajustando aos poucos — a rotina que funciona para vocês vai aparecendo no caminho, mesmo que não seja igual à de nenhuma outra mãe que você conhece.

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